Corrupção custa US$ 6
trilhões por ano aos países em desenvolvimento
18/12/2012
13:37
Por Redação, com agências internacionais - de Londres e Berna
Por Redação, com agências internacionais - de Londres e Berna
A China
foi campeã em “dinheiro sujo” transferidos para paraísos fiscais e bancos
ocidentais em 2010
A
criminalidade, a corrupção e a sonegação fiscal custaram quase US$ 6 trilhões
aos países em desenvolvimento na última década, e a quantia
continua crescendo, principalmente na China, disse uma entidade fiscalizadora
em um novo relatório divulgado na segunda-feira. A China foi a origem de quase
metade dos US$ 858,8 bilhões em “dinheiro sujo” transferidos para paraísos
fiscais e bancos ocidentais em 2010, o que representa mais de oito vezes mais
do que os segundos colocados, Malásia e México. O fluxo total de valores
ilícitos cresceu 11% em relação ao ano anterior, segundo a ONG Integridade
Financeira Global (GFI), com sede em Washington.
– Somas
astronômicas de dinheiro sujo continuam fluindo do mundo em desenvolvimento
para paraísos fiscais ‘offshore’ e bancos de países desenvolvidos. Os países em
desenvolvimento sofrem uma hemorragia de cada vez mais dinheiro, num momento em
que nações ricas e pobres tentam igualmente estimular o crescimento econômico.
Este relatório deve ser um toque de alerta para aos líderes mundiais para que
se faça mais para resolver essas saídas nocivas – disse Raymond Baker, diretor
da ONG.
Índia,
Nigéria e Filipinas entraram neste ano para o “top 10″ da fuga de capitais
ilícitos. Todos os países nesse grupo enfrentam graves problemas de corrupção,
e na maioria deles há também vastas desigualdades sociais e problemas de
segurança interna. Os líderes do G20 (grupo das 20 maiores economias mundiais)
cada vez mais discutem formas de reprimir a lavagem de dinheiro, o sigilo
bancário e brechas tributárias, a fim de evitar que a corrupção e outros
crimes esvaziem os cofres dos países em desenvolvimento.
Para que
se tenha uma ideia do volume envolvido, a cada dólar de ajuda internacional
direta, dez dólares saem dos países em desenvolvimento. A China perdeu US$
420,4 bilhões em 2010, e o total em uma década chega a US$ 2,74 trilhões.
Ciente do impacto desestabilizador da corrupção, os líderes chineses decidiram
agir. O presidente Hu Jintao recentemente alertou que a corrupção poderá
destruir o Estado chinês e seu regime comunista.
– Nosso
relatório continua demonstrando que a economia chinesa é uma bomba-relógio. A
ordem social, política e econômica naquele país não é sustentável em longo
prazo, dada a enorme fuga de quantias ilícitas – disse Dev Kar,
economista-chefe da GFI, que compilou o relatório.
Lavanderia
A maior
parte do dinheiro proveniente da corrupção precisa ser “lavado” para voltar ao
mercado com uma origem lícita. Para o sociólogo Jean Ziegler, a Suíça é o
endereço preferido por nove entre 10 corruptos no mundo, para resolver esse
problema. Durante cerca de trinta anos, Jean Ziegler foi considerado pelos
suíços como o seu pior inimigo, ironizado pelos jornais e considerado palhaço
pelos cartunistas suíços, tudo por ter escrito um livro “best seller”, em 1976
– A Suíça Acima de Qualquer Suspeita, no qual denunciava o segredo bancário
suíço.
Funcionário
da ONU na África, na época da independência do Congo e do assassinato do líder
Lumumba, Ziegler tinha sido amigo de Che Guevara. Em sua autobiografia, Ziegler
conta ter sido o Che quem, na sua juventude, lhe pediu para ficar na Suíça e
lutar contra os banqueiros suíços. Durante duas décadas, como deputado estadual
e federal por Genebra, manteve atuação marcante na política suíça, sem deixar
seu posto de professor de sociologia em Genebra e na Sorbonne, em Paris. Foi
seu livro A Suíça Lava Mais Branco, que lhe trouxe os maiores problemas e
provocou o fim de sua carreira política. Seus colegas do Parlamento, ao
contrário do hábito, votaram a retirada de suas imunidades parlamentares, para
forçá-lo a responder os processos movidos pelos banqueiros.
O próprio
Partido Socialista lhe negou a candidatura para um terceiro mandato por
Genebra. Mesmo assim, em plena tormenta econômica, quando precisou mesmo vender
seu carro para pagar advogados, conseguiu um novo sucesso com o livro A Suíça,
o Ouro e os Mortos, no qual contou o roubo das economias dos judeus mortos no
Holocausto pelos bancos suíços e onde expôs a teoria de que, sem a Suíça para
lavar o ouro roubado pelos nazistas, a Segunda Guerra teria terminado em 1942.
A seguir,
por proposta de Cuba, apoiada pelos países africanos, Ziegler foi designado
relator especial da ONU para a Alimentação. Na ONU, ao todo, Ziegler completou
13 anos. Seu mandato à frente da área de Alimentação dificilmente seria
renovado, vista a séria oposição dos EUA e Israel, por isso, Ziegler seguiu
para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, desta vez com o apoio oficial da
Suíça, que o reabilitou e o indicou numa brochura distribuída a todos os países
como seu candidato oficial.
A
brochura, que louva as qualidades de Ziegler, foi distribuída a todas as
embaixadas e governos, inclusive ao Brasil. Embora Ziegler tenha provocado, na
época, uma briga com o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, num
relatório sobre a fome no Brasil, nunca escondeu sua admiração por Luiz Inácio
Lula da Silva, que manteve até agora o seu apoio às ações de Ziegler na ONU.
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