Dezembro 20, 2012
Enviado por Maria Valéria Correia.
Recentemente o governo federal criou a EBSERH para gerenciar
os hospitais universitários apostando numa maior eficácia de gestão em
parâmetro privado. Na prática teremos profissionais da saúde sem concurso
público, sem estabilidade no emprego, sem plano de carreira, com salários
dependentes do aumento da jornada de trabalho e evidentemente sem identidade
com a finalidade de um hospital escola. Todavia, o que está por traz da criação
desta empresa estatal não é apenas redução de custo com o aprofundamento da
precarização do trabalho, mas também a forma de financiamento, pois mesmo se
tratando de uma empresa estatal onde parte da receita virá dos cofres públicos,
a outra parte virá da venda de serviços que implica também na privatização.
Todos os trabalhadores tenderão no futuro a pertencer ao regime CLT,
extinguindo progressivamente o Regime Jurídico Único.
No governo FHC tivemos um processo de privatização das
empresas estatais, onde se alegava que as empresas estatais eram ineficientes e
que deveria o Estado se afastar desta atividade focalizando apenas nas suas
funções essenciais: saúde, educação, previdência, etc. O que vimos em seguida
foi o afastamento do Estado dos gastos sociais, enquanto privilegiou o
pagamento do serviço da dívida pública ao mesmo tempo em que acelerou a
privatização da Seguridade Social, especialmente a saúde e a previdência. Tudo
isso foi acompanhado por uma gigantesca doação de dinheiro público para salvar
bancos, montadoras, empreiteiras, agronegócios e demais grandes empreendimentos
capitalistas, especialmente depois da crise mundial de 2008. Com esta crise o
que vimos foi a revelação do fracasso da politica neoliberal. Todavia, se
alegava que o Estado não dispunha de recursos para investir na área social. Tão
logo ocorre a crise este Estado, especialmente nos EUA realiza uma grande
intervenção liberando crédito e estatizando os grandes bancos e grandes
empresas como a General Motors.
Ou seja, a suposta eficácia da gestão privada não sobreviveu
aos fatos, já que no ápice desta ideologia o que vimos foi o completo fracasso
da iniciativa privada, tantos nos países centrais como nos países
subdesenvolvidos. No Brasil, nos 16 anos dos dois mandatos de FHC e Lula da
Silva o Brasil pagou R$ 6, 5 trilhões referentes serviço da dívida pública.
Somente em 2011 o país pagou R$ 708 bilhões de dívida pública, o que
corresponde mais de 10 vezes o valor efetivamente investido em saúde pela
União. O Estado de Alagoas pagou em 2012 R$ 600 milhões para a dívida pública,
valor superior ao investido em saúde pública.
Desta forma o governo Dilma Roussef, usando o regime de
empresa estatal, dá continuidade ao processo de privatização, porém por outros
meios. Com isso o que teremos pela frente é o mercado definindo os rumos dos
Hospitais Universitários e por sua vez do ensino, pesquisa e extensão ao mesmo
tempo em que acelera a contratação de serviços privados para a prestação de
serviços nestes HUs. Na essência querem induzir é que a forma de gestão baseada
no serviço público é ineficiente e por sua vez a via privada o exemplo a ser
seguido. Trata-se da repetição do argumento básico usado nos ano 1980/90 pelos
governos neoliberais.
Os hospitais públicos e estatais na Inglaterra são
reconhecidamente eficientes como destacou o jornal da globo na semana passada.
Isto é possível porque o Estado Inglês é responsável pelo financiamento de 83%
dos gastos com saúde. Lá um médico ganha R$ 15 mil no início de carreira pode
chegar a R$ 45 mil no final de carreira. As consequências imediatas desta
política é que os médicos e demais profissionais da saúde na Inglaterra
preferem trabalhar na Saúde pública ao invés do setor privado, pois tem uma
carreira pela frente além de excelentes condições de trabalho e grande
investimento em equipamentos e instalações. A precarização do trabalho e a
venda de serviços não é o melhor caminho.
O que observamos nas empresas estatais existentes é processo
de aceleração da privatização interna que reflete a correlação de força num
governo que tem uma base aliada constituída pelos grandes grupos capitalistas
que querem ganhar mais dinheiro, ainda, privatizando mesmo onde juridicamente
se trata de uma empresa estatal. Isto fica mais claro quando tratamos da
Petrobras, Banco do Brasil, CEF, Correios, onde os interesses privados determinam
precarização do trabalhado em dimensão próximas do setor privado.
O caminho a seguir não é criar uma empresa estatal para
precarizar o trabalho, burlar os direitos trabalhistas dos servidores públicos
e burlar a Lei de licitação, além de buscar outras fontes de financiamento
baseado na cobrança pelos serviços hospitalares. Se o governo federal tem
dinheiro para salvar bancos, para construir estádios para copa de 2014, para
subsidiar os grandes industriais e gasta metade do orçamento com a dívida pública
por que não tem recursos para a abertura de concurso público para substituir os
terceirizados e para o financiamento de HUs públicos e estatais? Será que este
governo e sua base aliada não pretendem permitir que estes hospitais públicos
se transformem em espaços de enriquecimento privado e trafico de influência
política? Os HUs precisam é de democratizar sua gestão ampliando a
transparência e permitindo a participação da comunidade seja os trabalhadores
que nele atuam, como os demais trabalhadores que dele necessitam.
Fórum em Defesa do SUS e contra a Privatização.
Vamos dizer não à EBSERH!
Saúde não é mercadoria!
Saúde não se vende, se defende!
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