Famílias carentes de Uberlândia passam Natal sem ceia
Núbia Mota Repórter
A família de Lino Eustáquio Barbosa terá arroz, feijão e
macarrão para o Natal
Se para alguns o Natal é sinônimo de fartura, com troca de
presentes e muita comida, em algumas regiões de Uberlândia, moradores passam a
data como outro dia qualquer ou sem ter o básico para comer. A reportagem do
CORREIO de Uberlândia foi a três bairros periféricos da cidade para contar a
história dessas famílias.
Nas primeiras horas da manhã de ontem, véspera do Natal, o
servente de pedreiro Lino Eustáquio Barbosa, 49 anos, já estava de pé para
trabalhar no encanamento da obra da casa de dois cômodos para onde se mudou, há
uma semana, com a mulher e dois filhos, no bairro Prosperidade, zona leste.
Com dificuldade para sustentar a família com o salário
mínimo da colheita de bananas em Pirapora, no norte do Estado de Minas Gerais,
Barbosa veio para Uberlândia, há seis meses, para tentar ter uma vida melhor.
Com os quase dois salários mínimos que ganha por mês por meio do trabalho na
construção civil, ele comprou o lote, por R$ 5 mil, e trouxe, há uma semana, a
mulher e os filhos.
Para a ceia de Natal, a mulher de Barbosa, Maria Marlene
Ferreira, fez o que se come nos dias comuns: arroz, feijão e macarrão. A troca
de presentes não aconteceu, assim como sempre ocorreu na vida da dona de casa
de 50 anos que sonhava um dia ter uma boneca de verdade. “Minha mãe cortava
pano e enrolava no sabugo de milho. Quando tive minha filha, comprei uma boneca
(industrial) para ela e paguei em três vezes.”
Já o servente de pedreiro guarda boas lembranças dos
presentes dados pelo pai, que ficou em Pirapora, como uma bicicleta e um acordeão,
mas também se lembra das dificuldades financeiras que levaram sua família a
vender o instrumento musical. Hoje, segundo Barbosa, seu objetivo é concluir as
obras em sua casa como um presente de Natal para ele e sua família.

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