Obama deu início a seu segundo mandato de quatro anos neste
domingo
O presidente dos EUA, Barack Obama, deu início a seu segundo
mandato de quatro anos neste domingo (20), ao prestar juramento à Constituição
em uma cerimônia discreta na Casa Branca. A maioria das celebrações
relacionadas à posse está marcada para a segunda-feira, coincidindo com o
feriado nacional em homenagem ao líder da luta pelos direitos civis para os
negros Martin Luther King Jr., assassinado em 1968.
Às 11h55 locais (14h55 em Brasília), no Salão Azul da Casa
Branca, Obama jurou respeitar a Constituição diante do presidente da Suprema
Corte, John Roberts. Estavam presentes a primeira-dama, Michelle Obama, e as
duas filhas do presidente, além de um pequeno grupo de jornalistas. O
vice-presidente Joe Biden já havia prestado juramento mais cedo, à juíza da
Suprema Corte Sonya Sotomayor, em sua residência oficial no Observatório Naval
dos EUA.
“Eu fiz”, disse Obama à sua filha mais nova, Sacha, depois
de fazer o juramento. Ele não fez nenhuma outra declaração.
Como a Constituição determina que o mandato do presidente
comece em 20 de janeiro, e a data caiu num domingo, a Casa Branca organizou a
agenda de modo que o juramento fosse feito nesse dia. A cerimônia será repetida
nesta segunda-feira nos degraus do Capitólio, diante de um público que poderá
chegar a 800 mil pessoas. Depois disso, Obama deverá caminhar pela avenida
Pensilvânia até a Casa Branca. As festividades deverão ser concluídas à noite,
com um baile de gala.
Na manhã deste domingo, Obama e Biden prestaram homenagem ao
Túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério Nacional de Arlington, nos
arredores de Washington. Depois disso, o presidente e sua família foram à missa
na Igreja Episcopal Metodista Negra Metropolitana. O coro e a congregação
cantaram “Parabéns a Você” para a primeira-dama, que fez 49 anos na semana
passada. Obama cantou abraçado a Michelle, que vestia um casaco azul escuro.
Obama, 44º presidente dos EUA e primeiro negro a ocupar o
cargo, assumiu seu primeiro mandato em meio a esperanças de que ele conduzisse
um país dividido a uma reconciliação. As guerras no Iraque e no Afeganistão e o
aprofundamento da divisão entre ricos e pobres haviam levado os dois partidos
políticos do país a uma radicalização crescente. Seus primeiros quatro anos no
cargo, porém, foram marcados por divisões ainda mais fortes, em razão da crise
financeira e dos impasses que ela provocou nas áreas de política econômica e
fiscal.
No plano das políticas de governo, Obama, que foi
homenageado com o Prêmio Nobel da Paz logo depois de assumir seu primeiro
mandato, em 2009, viu-se obrigado a recuar de sua promessa de fechar a prisão
da base militar de Guantánamo, em Cuba, onde dezenas de suspeitos de
colaboração com o terrorismo permanecem detidos sem acesso a garantias legais e
sem perspectiva de irem a julgamento. Embora tenha assinado uma ordem executiva
proibindo o uso de tortura, seu governo bloqueou as investigações sobre abusos
cometidos durante a administração de seu antecessor, George W. Bush.
Seus maiores sucessos foram a aprovação de uma reforma ampla
no sistema de saúde pública dos EUA, o que seu companheiro de Partido Democrata
Bill Clinton não havia conseguido fazer nos anos 1990, e a localização e
assassinato do líder terrorista de origem saudita Osama bin
Laden, em maio do ano passado. Boa parte de seu foco se
dirigiu à recuperação da economia depois da crise financeira de 2008.
Em seu segundo mandato, Obama terá de lidar com a
regulamentação das leis de supervisão do setor financeiro aprovadas em 2010,
diante de uma pressão forte do setor financeiro para que essas reformas sejam
diluídas. Desde os primeiros dias, seu governo estará engajado em negociações
com o Partido Republicano sobre o aumento do limite legal de endividamento do
governo e sobre maneiras de reduzir a dívida pública nos próximos anos.
Ainda no plano nacional, suas propostas para limitar o
acesso dos cidadãos a armas automáticas, de modo a reduzir o número de
chacinas, e de ampliar os direitos dos imigrantes, entre eles o acesso aos
sistemas de saúde e educação, deverão enfrentar oposição vigorosa por parte dos
setores mais conservadores. A expectativa é de que Obama apresente ainda neste
ano um projeto de lei que legalize a situação de milhões de imigrantes ilegais.
No cenário internacional, o combate ao terrorismo, o esforço
para impedir que o Irã desenvolva tecnologia nuclear até o ponto de poder
produzir armamentos, a guerra civil em andamento na Síria e as tensões causadas
pela ocupação de territórios palestinos por Israel deverão ser dominantes,
assim como as relações com a Rússia e com a China. As informações são da
Associated Press.
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