| HELLEN SEGALLA (18 anos) - faz duas faculdades, Letras e Pedagogia e ainda é professora de inglês em escola privada. |
O relatório mostra que a população jovem do mundo é a maior que já existiu e que um em cada oito jovens está desempregado. Além disso, mais de 25% estão em trabalhos que os deixam na linha da pobreza ou abaixo dela, equivalente a um rendimento inferior a US$ 1,25 por dia. O documento ressalta que "a profunda falta de qualificação da juventude é mais nociva do que nunca", neste momento de crise econômica que continua afetando sociedades de todo o mundo
A publicação avalia que houve progresso significativo em
algumas regiões, mas poucas estão no caminho para atingir as seis metas
previstas no Acordo de Dacar (Senegal), assinado por 164 países durante a
Conferência Mundial de Educação de 2000.
Pelo acordo, até 2015 devem ser cumpridas as seguintes
metas: expandir cuidados na primeira infância e educação; universalizar o
ensino primário; promover as competências de aprendizagem e de vida para jovens
e adultos; reduzir o analfabetismo em 50%; alcançar a paridade e igualdade de
gênero; melhorar a qualidade da educação.
Em todo o mundo, 250 milhões de crianças em idade escolar
primária não sabem ler ou escrever, frequentando ou não a escola. Entre os
adolescentes, 71 milhões estão fora da escola secundária, perdendo, segundo a
pesquisa, a oportunidade de adquirir habilidades vitais para um emprego digno
no futuro.
As populações jovens pobres são as que mais precisam de
capacitação, principalmente das áreas rurais. "Muitos jovens fazendeiros,
com problemas de escassez de terras e efeitos da mudança climática, não têm
sequer as habilidades básicas necessárias para se proteger e se
sustentar", conclui o estudo. No Brasil, aqueles que moram na zona rural
têm o dobro de chance de ser pobres e 45% não completaram o ensino fundamental.
Segundo a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, o mundo
está testemunhando uma geração jovem frustrada pela disparidade crônica entre
habilidade e emprego. "A melhor resposta à crise econômica e ao desemprego
de jovens é assegurar a capacitação básica e relevante de que precisam para
entrar no universo do trabalho com confiança", disse. Para ela, esses
jovens precisam ter caminhos alternativos para a educação, para conseguir as
habilidades necessárias à sobrevivência, a viver com dignidade e contribuir com
suas comunidades.
O relatório mostra ainda que não investir nas habilidades de
jovens tem efeitos de longo prazo visíveis em todos os países. Mesmo nas nações
desenvolvidas, a estimativa é que 160 milhões de adultos, ou 20% deles, não
tenham requisitos mínimos para se candidatar a um emprego, como ler um jornal,
escrever ou fazer cálculos. Por isso, a Unesco defende que investir no
desenvolvimento das habilidades de jovens é uma estratégia inteligente para
países que querem impulsionar seu desenvolvimento econômico.
A partir dos dados, a entidade alerta que apesar de a área
econômica ser a primeira a se beneficiar da mão de obra mais qualificada, o
setor privado contribui muito pouco na educação dos jovens, com apenas 5% dos
fundos oficiais. Além disso, recomenda que governos e países doadores de fundos
globais para a educação se empenhem para garantir o investimento necessário.
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