terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pesquisa indica queda na vulnerabilidade de jovens em Uberlândia

 Repórter - JORNAL CORREIO DE UBERLÂNDIA.
Dentre os 283 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, Uberlândia está entre os 55 com menor Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V), segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério da Justiça, divulgado na semana passada. O estudo ainda aponta que Ribeirão Preto, cidade do interior paulista de porte semelhante ao de Uberlândia, tem IVJ-V um pouco mais baixo e é, por isso, menos perigosa para os jovens do que a cidade mineira. A pesquisa indica apenas três municípios com condição de vulnerabilidade alta: Eunápolis (BA), Marabá (PA) e Arapiraca (AL).
Coronel Dilmar Crovato diz que cursos e emprego beneficiaram os jovens nos últimos anos
O índice leva em conta questões que influenciam a vida de pessoas entre 12 e 29 anos (homicídios e mortalidade no trânsito; pobreza; desigualdade socioeconômica; frequência escolar e situação de emprego) e é medido em uma escala que varia de 0, melhor resultado possível, a 1, pior resultado possível.
Em comparação com o último estudo, referente ao ano de 2007, Uberlândia melhorou 35 posições no ranking, que classifica em primeiro lugar os locais mais vulneráveis à violência. A cidade passou da 194ª (0,323) posição para a 229ª (0,226) no levantamento mais recente, que utiliza dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de o IVJ-V de Ribeirão Preto ter diminuído em relação ao levantamento anterior, a cidade piorou sete posições no ranking – passou da 240ª (0,289) para a 233ª (0,224) posição. Ainda assim, está mais bem colocada do que Uberlândia.
Dos indicadores que compõem o IVJ-V, o de pobreza é o que o mais expõe o jovem à violência em Uberlândia. Já a principal diferença entre a cidade mineira e Ribeirão Preto é a ocorrência de homicídios entre os jovens. Em Uberlândia, este índice específico é de 0,138, enquanto no município paulista é de 0,047.

Objetivos

Segundo a pesquisadora da ONG que desenvolveu o levantamento, Thandara Santos, o objetivo em construir o IVJ-V vai além da possibilidade de pautar ações de segurança pública. “A intenção é traçar um comparativo entre os municípios e possibilitar a identificação de iniciativas que contribuíram para a melhora dos quadros. Além disso, acreditamos que a violência deve ser considerada de forma mais ampla, não só nos fatos diretos, mas também nos contextos que podem gerá-la”, afirmou.

Comandante indica pontos de avanço

O desenvolvimento econômico e a consequente geração de empregos são, para o comandante da 9ª Região de Polícia Militar, coronel Dilmar Crovato, algumas das razões pelas quais o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V) em Uberlândia baixou de 2007 para 2010.
“Nós podemos perceber que aumentou a quantidade de cursos profissionalizantes para os jovens e as vagas de emprego para esse público”, afirmou Crovato. Quanto à segurança, o comandante disse que a Polícia Militar tem investido em ações de prevenção ao crime. “Nós trabalhamos constantemente para fortalecer essa relação com os jovens, especialmente com os projetos Jovens Construindo o Futuro (JCC) e o programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), além do patrulhamento escolar.”
Apesar da melhora, o oficial diz que ainda há pontos críticos que precisam ser trabalhados na cidade. “Nós trabalhamos para desmotivá-los, mas ainda é crescente o número de homicídios de jovens relacionados ao tráfico e ao uso de drogas”, disse.

Pesquisadora faz críticas a estudo

A doutora em Sociologia e professora da Universidade Federal de Uberlândia (FU), Débora Regina Pastana analisa com ressalvas a construção do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V) feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ministério da Justiça.
“Esse índice é contraditório com estudos que o próprio governo federal faz”, disse a pesquisadora, citando dados do Mapa da Violência 2011 – os Jovens do Brasil, também feito por uma organização em parceria com o governo federal. “Há números preocupantes de homicídios entre a população jovem.”
Para a pesquisadora, mesmo levando em consideração um aumento nas opções de emprego e no poder aquisitivo, o Brasil ainda é o quarto país entre os piores da América Latina em distribuição de renda, que é um dos aspectos considerados na composição do IVJ-V, que classifica apenas três cidades brasileiras com alta condição de vulnerabilidade para os jovens.
“Acho que o nosso jovem está extremamente vulnerável. E um índice que atesta que o jovem não é vulnerável está indiretamente dizendo que ele está optando por essa vida de violência. E é complicado o Estado lançar um estudo como esse, que é, de certa forma, se eximir da responsabilidade”, afirmou Débora Pastana.

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