Pesquisa indica queda na vulnerabilidade de jovens em Uberlândia
Dentre os 283 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, Uberlândia está entre os 55 com menor Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V), segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério da Justiça, divulgado na semana passada. O estudo ainda aponta que Ribeirão Preto, cidade do interior paulista de porte semelhante ao de Uberlândia, tem IVJ-V um pouco mais baixo e é, por isso, menos perigosa para os jovens do que a cidade mineira. A pesquisa indica apenas três municípios com condição de vulnerabilidade alta: Eunápolis (BA), Marabá (PA) e Arapiraca (AL).
O índice leva em conta questões que influenciam a vida de pessoas entre 12 e 29 anos (homicídios e mortalidade no trânsito; pobreza; desigualdade socioeconômica; frequência escolar e situação de emprego) e é medido em uma escala que varia de 0, melhor resultado possível, a 1, pior resultado possível.
Em comparação com o último estudo, referente ao ano de 2007, Uberlândia melhorou 35 posições no ranking, que classifica em primeiro lugar os locais mais vulneráveis à violência. A cidade passou da 194ª (0,323) posição para a 229ª (0,226) no levantamento mais recente, que utiliza dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de o IVJ-V de Ribeirão Preto ter diminuído em relação ao levantamento anterior, a cidade piorou sete posições no ranking – passou da 240ª (0,289) para a 233ª (0,224) posição. Ainda assim, está mais bem colocada do que Uberlândia.
Dos indicadores que compõem o IVJ-V, o de pobreza é o que o mais expõe o jovem à violência em Uberlândia. Já a principal diferença entre a cidade mineira e Ribeirão Preto é a ocorrência de homicídios entre os jovens. Em Uberlândia, este índice específico é de 0,138, enquanto no município paulista é de 0,047.
Objetivos
Segundo a pesquisadora da ONG que desenvolveu o levantamento, Thandara Santos, o objetivo em construir o IVJ-V vai além da possibilidade de pautar ações de segurança pública. “A intenção é traçar um comparativo entre os municípios e possibilitar a identificação de iniciativas que contribuíram para a melhora dos quadros. Além disso, acreditamos que a violência deve ser considerada de forma mais ampla, não só nos fatos diretos, mas também nos contextos que podem gerá-la”, afirmou.
Comandante indica pontos de avanço
O desenvolvimento econômico e a consequente geração de empregos são, para o comandante da 9ª Região de Polícia Militar, coronel Dilmar Crovato, algumas das razões pelas quais o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V) em Uberlândia baixou de 2007 para 2010.
“Nós podemos perceber que aumentou a quantidade de cursos profissionalizantes para os jovens e as vagas de emprego para esse público”, afirmou Crovato. Quanto à segurança, o comandante disse que a Polícia Militar tem investido em ações de prevenção ao crime. “Nós trabalhamos constantemente para fortalecer essa relação com os jovens, especialmente com os projetos Jovens Construindo o Futuro (JCC) e o programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), além do patrulhamento escolar.”
Apesar da melhora, o oficial diz que ainda há pontos críticos que precisam ser trabalhados na cidade. “Nós trabalhamos para desmotivá-los, mas ainda é crescente o número de homicídios de jovens relacionados ao tráfico e ao uso de drogas”, disse.
Pesquisadora faz críticas a estudo
A doutora em Sociologia e professora da Universidade Federal de Uberlândia (FU), Débora Regina Pastana analisa com ressalvas a construção do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ-V) feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ministério da Justiça.
“Esse índice é contraditório com estudos que o próprio governo federal faz”, disse a pesquisadora, citando dados do Mapa da Violência 2011 – os Jovens do Brasil, também feito por uma organização em parceria com o governo federal. “Há números preocupantes de homicídios entre a população jovem.”
Para a pesquisadora, mesmo levando em consideração um aumento nas opções de emprego e no poder aquisitivo, o Brasil ainda é o quarto país entre os piores da América Latina em distribuição de renda, que é um dos aspectos considerados na composição do IVJ-V, que classifica apenas três cidades brasileiras com alta condição de vulnerabilidade para os jovens.
“Acho que o nosso jovem está extremamente vulnerável. E um índice que atesta que o jovem não é vulnerável está indiretamente dizendo que ele está optando por essa vida de violência. E é complicado o Estado lançar um estudo como esse, que é, de certa forma, se eximir da responsabilidade”, afirmou Débora Pastana.
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