Não faz muito tempo que o rio
Reno era chamado de "cloaca" da Europa. Quem ficava às suas margens
não precisava de muita imaginação para entender o apelido: o Reno era um rio
morto, de águas sujas e mal-cheirosas.
Várias empresas químicas de
grande porte como Sandoz, Ciba e Basf jogavam seus dejetos diretamente no rio,
que também passa por várias zonas industriais ao longo de seus mais de 1,3 mil
quilômetros de extensão.
Hoje, a coisa mudou: a vida
voltou ao Reno, que agora é considerado oficialmente um rio limpo. Este é o
fruto de 20 anos de trabalho e de uma cooperação entre os seis países banhados
pelo rio, entre eles França, Alemanha, Suiça e Holanda.
Gota d'água
A doutora Anne
Schulte-Wülwer-Leidig, vice-diretora da Comissão Internacional para a Proteção
do Reno, lembra que um acidente grave na fábrica da multinacional suíça Sandoz,
que poluiu o rio em 1986, foi a gota d'água que faltava para que a limpeza do
Reno fosse levada a sério.
"O acidente alertou as
autoridades e a opinião pública para os problemas do rio", disse a
cientista. Na época, o Reno foi contaminado com 20 toneladas de um pesticida
altamente tóxico.
Mais de US$ 15 bilhões foram
investidos pelos governos e pela iniciativa privada desde 1989 na construção de
estações de tratamento de água e de monitoramento ao longo do rio. Deu certo:
agora, pode-se ver até gente pescando no Reno, o que era impossível dez anos
atrás.
Das 64 espécies de peixes que
povoavam o Reno antes da poluição, 63 já voltaram ao rio. Só falta um peixe
voltar, o estrujão. A conscientização das empresas, principalmente da indústria
química, foi vital para a recuperação do rio.
Hartmut Skalicki, que é
responsável pelo meio ambiente na Associação Alemã da Indústria Química, diz
que não foi a lei, mas sim a pressão da opinião pública que levou as empresas a
investir na despoluição do rio.
Primeiro, foram construídas
estações de tratamento, depois, sistemas de emergência para evitar que o rio
seja poluído por acidentes. Hoje em dia, cerca de 95% dos esgotos das empresas
são tratados.
Agora, só falta reduzir a
quantidade de pesticida absorvida pelo rio, que vem da agricultura. De qualquer
modo, a limpeza do Reno já é considerada um dos maiores sucessos da ecologia da
Europa.
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