Os golpes no SUS: a entrada do capital estrangeiro como lucratividade

No sentido de debater as ideias apresentadas pela professora Mario Inês Bravo, o membro do Centro Brasileiro de Estudo de Saúde e do Instituto Brasileiro de Direito Sanitário Aplicado, Nelson Rodrigues fez uma breve análise sobre os golpes que vem sendo dados ao SUS e destacou que a consciência coletiva e a mobilização da sociedade são as únicas atitudes que podem conquistar e pôr em prática os direitos dos cidadãos. “O grande desafio hoje é que o SUS está sendo implementado pelo contrário, ele está fora do rumo”, lamentou.
Nelson citou também a medida provisória que abre a entrada de capital estrangeiro no Brasil, oferecendo para o capital internacional um mercado de 25% da população brasileira que consome planos de saúde privados. “Eles não ficam apenas com esses 25% da população, pois eles entram também como setor privado complementar do Sistema Único. O SUS hoje possui pouco mais de 200 bilhões de reais ao ano e com a entrada do capital, mais de 60% desse valor seria para o capital estrangeiro, que vem abocanhar a complementariedade dos serviços públicos dentro do SUS, além do mercado dos planos privados de saúde”, advertiu Nelson.
Para o professor, cada golpe que o SUS toma é aparentemente mortal, mas nada consegue matá-lo. Esses golpes todos que foram dados no SUS me deixam com uma visão muito clara de que não dá pra saber qual golpe foi pior, foi um esquartejamento de 25 anos. Se pegarmos os últimos, temos a impressão de que os golpes estão cada vez piores. A Reforma Sanitária brasileira se inspirou em um espectro de correntes ideológicas. O SUS por sua vez, totalmente esquartejado, não morre. Para mim, isso se deve a questão dos valores humanos”, concluiu Nelson.
Ao final do primeiro dia do X Ciclo de Debates os convidados foram presenteados com a apresentação da orquestra Brasil de Tuhu, que realiza ações que promovem a educação musical no país. Para homenagear um dos maiores entusiastas dessa questão, o maestro Villa Lobos, foi escolhido seu apelido de infância – Tuhu, uma referência ao barulho das locomotivas que ele tanto amava, para dar nome ao programa.
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